Cheiros

O cheiro do seu perfume

Quando você chega e me abraça

O cheiro do seu hálito fresco

Quando sua boca se aproxima da minha

O cheiro dos seus cabelos

Quando você deita no meu travesseiro

O cheiro da sua barba

Quando eu avanço pra beijar sua orelha

O cheiro dos pelos do seu peito

Quando eu me dobro sobre você

O cheiro da sua barriga

Quando te percorro de cima a baixo

O cheiro de amaciante

Quando tiro suas roupas

O seu cheiro, aquele que me inebria

Quando saboreio o seu gosto

O cheiro do seu suor

Quando a gente se move e abafa o quarto

O cheiro de sexo

Quase palpável, enchendo o ar

Um cheiro gostoso, de amor

Um cheiro que fica grudado

Na minha pele

Na minha memória

Seus cheiros são intensos e suaves

São graves

Cheiros que eu farejo com vontade

Cheiros que eu abraço

Cheiros em que eu me envolvo

Querendo ficar onde você esteve

Cheiros que eu sinto saudade

Eu te cheiro

Porque seus cheiros são marcas

São pedaços seus que me atiçam

Cheiros que me tiram de mim

E me enchem de você.

Ainda

Eu ainda sinto
O seu suor no meu corpo
O seu cheiro no travesseiro
O seu gosto na minha boca

Eu ainda ouço
As batidas do seu coração
Enquanto me lembro de estar deitada
Sobre o seu peito

Ainda dói a sua mordida
No meu pescoço
As minhas pernas ainda fraquejam
Pensando em você entre as minhas coxas

Como nos meus sonhos
A minha língua ainda quer te percorrer
A minha boca quer te sorver
Meus ouvidos ainda escutam seus sons de prazer

O seu toque ainda me arrepia
A sua respiração me excita
Minha pele ainda sente
O apertar dos seus dedos

Eu fecho os olhos, e ainda posso te ver nitidamente
Pleno, objeto do meu desejo
Sua luz viva, iluminando o quarto
Aquecendo tudo, alimentando a minha vontade

E eu ainda quero voltar pra ontem
Pros seus braços, pros seus beijos, pra sua presença, pra nossa conexão
Porque a gente ainda é a gente
E porque tudo o que a gente viveu ainda está vivo em mim.

Falta

Falta o toque da sua boca

Falta o som da sua voz

Falando baixo, ao pé do meu ouvido

Beijando a curva entre o meu pescoço e o meu ombro

Falta o calor do seu corpo

Quando você me abraça nu sob os lençóis

Falta o ar quente da sua respiração

Quando meu rosto se aproxima do seu

Falta o seu sabor na minha língua

Quando você cede aos meus lábios

Falta a força dos seus quadris

Quando você me domina de bruços

Falta o desenho das suas costelas

Quando você se curva sobre o meu peito

Falta o seu olhar sob a luz fraca da noite

Quando você está prestes a fechar os olhos

Falta o seu gemido enchendo o quarto

Quando tranço minhas pernas nas suas

Falta o seu suor encharcando a cama

Quando a gente derrete de outras formas.

Insone

Rolo pela cama, esperando pelas suas mãos me despertando sob os lençóis. Se fecho os olhos, vejo os seus me encarando, enquanto seus dedos me roçam os mamilos, me deixando ainda mais alerta.

Sonho acordada com sua barba me arranhando o rosto e o pescoço, com sua boca quente falando ao meu ouvido as suas ordens. Seria um pesadelo não obedecer aos seus mandos. Deixar que você exerça o seu poder me desperta. E me deixa pronta.

Sigo em claro, na excitação da espera pelos seus comandos. Pelo peso da sua palma. Pela força ao me prender os punhos. Pela pressão do seu corpo contra o meu.

E assim, não adormeço, impedida pelo encharque que escorre por entre as coxas. Tensas, minhas pernas aguardam o seu encaixe. Meus lábios, também molhados de vontade, querem te sorver.

Permaneço insone se você não aparece para me atiçar. Pra me torturar, me exaurir e me extasiar. Para gastar minhas forças e apagar meu fogo, me tensionar até relaxar, e fazer o sono vir.

Me olhe

Me olhe.
Veja nos detalhes do meu corpo a excitação que você provoca.
Me olhe até o meu olhar ficar meio torpe.
Até deixar meus lábios entreabertos, e então mordidos por meus dentes famintos de você.
Vê minha garganta engolindo em seco? Sou eu salivando de vontade.
Meu peito sobe e desce com a respiração que se altera.
Minhas mãos inquietas dobram dedos que querem te tocar.

Me olhe.
Observe o tecido de uma lingerie que quer ser aberta e carregada para o chão.
Veja os relevos de um corpo que quer se entregar ao seu.
Curvas que querem estar dentro das suas mãos.
Partes que querem ser cobertas pelos seus lábios.

Me olhe.
Desça o olhar até minhas coxas que se contraem, segurando a vontade.
Então me fale. Me atice até que eu comece a derreter.
E, então, me toque. Me encaixe em você. Me mova, se mova.
Continue me olhando. Nos olhos.
Enquanto sussurra ordens e me tateia. Me leia.

Mantenha seu olhar no meu, veja a centelha queimando.
Me olhe bem lá dentro, vá fundo, e enquanto me invade e me preenche, me olhe até que eu não me sustente mais.
Me olhe e não pare. Me olhe, me prenda, me acenda, me devore, me acabe.
Me olhe até que tudo que se vê sejam nossos corpos arqueando, o orgasmo chegando. Me olhe até que eu não consiga te olhar mais.




Curvas imaginárias

Gosto que imagine curvas perfeitas, ainda que na realidade, os relevos desse corpo não se mostrem muito mais do que comuns. Gosto que pense em lábios macios e ansiosos, regados de vinho tinto, prontos para se entregarem a beijos molhados. 

Gosto que visualize seios que enchem uma mão, que cabem na boca, e que se ouriçam ao leve toque da língua. Que escute em sua mente os gemidos que demonstram o misto de dor e prazer ao ter seus dentes trancados em volta de um mamilo. 

Gosto que se pergunte que sabor tem essa pele, se ficaria arrepiada com um toque. Ou como seria encostar dedos entre essas coxas, sentir a excitação escorrendo, e ser a causa desse encharque. 

Gosto que queira se encaixar nesse corpo, e pesar o tronco sobre ele. Que anseie por prender esses punhos com uma das mãos, ao passo que a outra puxa esses quadris de encontro aos seus. Gosto que idealize a amplitude do preencher. 

Gosto que se excite, que provoque, que sinta vontade. E gosto que essa mente real crie desejos sobre curvas imaginárias.

Selvagem

Me atice. Fale dos seus fetiches mais censuráveis, aqueles que acordam esse animal selvagem que me arranha por dentro, querendo sair e devorar o mundo. Venha me caçar e me encoleirar.

Me rasgue as roupas. Quero uma trilha sonora de tecidos arrancados às pressas, botões e fechos abertos sem cerimônia, sapatos sendo chutados para longe enquanto seu corpo avança sobre o meu. Rasgue meus medos, minha vergonha, me rasgue até a alma.

Me afogue com seus beijos demorados, me deixe sem ar enquanto sua língua enche a minha boca e suas mãos me prendem. Me sinta encharcar. Se afogue nas minhas águas.

Me enterre sob os seus ombros fortes, me aperte contra a parede fria, me deixe sem saída. Se enterre em mim. Fundo, quente, molhado, deliciosamente encaixado. Me faça dançar no seu ritmo, com as suas coxas entrelaçadas às minhas, com seu peito suado pressionando o meu.

Me arraste pra cama, me puxe os cabelos, me vire de bruços e avance com força por entre as minhas pernas. Me dome com seus movimentos ágeis, suas palavras sujas, suas mãos fortes estalando na minha pele. Me empurre até a beira dos meus limites. Empurre tudo. Me destrua. Me mate de prazer. Me faça sentir que estou viva.

Barba

Os pelos grossos do seu queixo arranham meu ombro, bem em cima da tatuagem, enquanto sua boca lança uma conversa errada e gostosa no meu ouvido. Você esfrega sua barba linda, longa e bem cortada pela minha pele, seguindo pro meu pescoço. Peço pra ser mordida em meio aos seus beijos, quero ser devorada pelos seus dentes enquanto você roça o rosto contra o meu. 

Sua barba me excita, descendo entre meus seios, e suas mãos me prendem pela cintura, seus lábios deslizam pela minha barriga, me fazendo prender a respiração e afundar neste mar de provocações que me espetam carinhosamente e me atiçam. Me contorço e me contraio até perder as forças quando seu rosto se encaixa perfeitamente entre as minhas coxas. Meus dedos não soltam seus cabelos, querendo segurar a eternidade nas voltas que a sua língua dá. 

Seus pelos na minha pele, seus lábios no meu corpo, meu sabor na sua boca. Uma taça de vontade esperando pra ser tomada. Sua barba me arranha, me esfola, me machuca, e você me suga, me bebe, me destrói enquanto me leva a esses violentos orgasmos. Sua barba é instrumento de uma tortura deliciosa, um castigo de onde eu sempre imploro para sair marcada.

Centelha

Uma centelha se acende atrás dos meus joelhos. Os gelados dedos dos meus pés se encolhem, enquanto os músculos das minhas pernas tensionam, tentando trancar entre as minhas coxas o fogo que você alimenta.

Uma centelha se acende como um Y no meu peito e desce até o meu V. Uma centelha se acende em meus olhos vidrados, que procuram pela sua imagem e depois se fecham pra enxergar o que fariam seus fetiches. Uma centelha se acende na minha garganta, enquanto meus lábios esperam pra tocar os seus, e minha língua ansiosa implora para sentir o seu gosto.

Uma centelha se acende nas pontas dos meus dedos, e minhas mãos percorrem desesperadamente o caminho que você faria. As suas seguram meus punhos, e então você me invade. Centelhas se acendem em dois corpos que se encaixam, imantados, e o ar se enche das faíscas desse entrelaçar de membros, troncos e desejos.

Uma centelha se acende quando tudo está encharcado até a alma. Um curto que provoca choques intermináveis, que machuca com prazer, uma dor viciante. Uma chama que vira incêndio, e a gente não tem vontade de apagar.

Oral

Sua boca agora cumpre uma função mais prazerosa do que a do paladar. O sentido é tatear, com lábios e língua, percorrer um caminho que começa naquela volta abaixo do maxilar, e desalinha as vértebras tensas da minha coluna.

Uma exploração lenta e embalada pelo som da minha respiração pesada. Você pode divagar sobre marcas e sinais pele afora, faltas e excessos em cintura e quadris, mas precisa estar ali. Onde os músculos fazem o que querem quando são alcançados por beijos e provocações.

A ordem é demorar, e me revirar, e me decodificar em milímetros de milhares de nervos, até que não haja força maior do que a das juntas dos meus dedos presas em lençóis e na base da sua nuca.

Só termine quando meu corpo for palco de uma energia contorcionista. Ali, não existe encenação, só entrega e êxtase. E talvez palavras, que são cortadas entre gemidos e soam como aplausos para o seu ego. Nesse ato final está o camarote onde você assiste à melhor obra que sua língua pode recitar.